Manual Médico Prepper 2026

 Pensa neste manual em três camadas:

3.1. prevenção, organização e treino antes da crise;

4.2. primeira resposta nas primeiras horas;

5.3. manutenção segura durante 24 a 72 horas, até reabastecimento, evacuação ou retorno de serviços.

Em ambiente prepper, o objetivo não é “fazer de médico”. O objetivo é:

  • reconhecer cedo o que mata depressa;
  • usar medidas simples que salvam vidas;
  • evitar contaminação, agravamento e decisões impulsivas;
  • saber quando ficar, quando pedir ajuda e quando evacuar.



 6.1. Princípios de Medicina Prepper

Em 2026, para civis, a versão sensata desse princípio é esta:

prevenir vale mais do que tratar;

água segura, higiene e calor adequado evitam mais doença do que antibióticos improvisados;

a maioria dos desastres médicos domésticos não começa com tiros, começa com quedas, cortes, queimaduras, intoxicações, infeções, desidratação e falhas na medicação crónica;

um telemóvel carregado, uma lista de medicação, um torniquete de qualidade, água armazenada e treino em SBV salvam mais vidas do que equipamento “tático” sem prática;

evacuar cedo continua a ser mais seguro do que “aguentar mais um pouco”.

Regra de ouro prepper:

o problema mais perigoso é o que compromete oxigénio, circulação, consciência ou temperatura corporal;

o segundo mais perigoso é a água contaminada, o saneamento deficiente e a falha de continuidade terapêutica;

o terceiro é o desgaste mental prolongado que destrói julgamento, disciplina e coesão familiar.


7.2. Contactos e Enquadramento em Portugal

Mantém estes contactos escritos em papel e em pelo menos dois locais da casa:

`112`: emergência médica imediata;

`SNS 24 - 808 24 24 24`: triagem, aconselhamento e encaminhamento clínico;

`CIAV - 800 250 250`: intoxicações e exposição a químicos, medicamentos, plantas, fumos e produtos domésticos.

Em Portugal, o Livro Azul de Vacinas da DGS, adotado como referencial técnico nacional em 2026, mantém especial importância para adultos no que toca a:

reforços contra tétano e difteria ao longo da vida;

vacinação sazonal quando indicada, como gripe e COVID-19;

vacinação de grupos de risco e vacinação do viajante.

Para preparação doméstica, isto traduz-se em algo muito simples:

confirma se tens vacinação atualizada;

sabe qual foi a última dose antitetânica;

confirma medicação habitual, alergias e doenças crónicas de todos os elementos da casa;

guarda número de utente, lista de fármacos e contactos médicos em papel.


8.3. Estrutura Médica Mínima da Família ou Grupo

Cada família ou pequeno grupo deve ter uma “célula médica” simples, composta por:

uma pasta com dados clínicos;

um kit de trauma e primeiros socorros;

uma reserva de medicação habitual;

um plano de comunicação;

um plano de evacuação.

Ficha médica individual

Cada pessoa deve ter uma folha com:

nome completo e data de nascimento;

número de utente e contacto de emergência;

grupo sanguíneo, se conhecido;

alergias medicamentosas e alimentares;

doenças relevantes: asma, diabetes, hipertensão, epilepsia, insuficiência renal, cardiopatia, depressão, gravidez;

medicação diária e doses;

histórico vacinal relevante, incluindo tétano;

limitações físicas e necessidades especiais.

Reserva de medicação

Idealmente, cada adulto deve procurar manter:

medicação diária para pelo menos 14 dias;

cópia de receitas e nomes genéricos;

material específico, como inaladores, tiras de glicemia, canetas de insulina, bombas, medicação anticonvulsivante ou auto-injetor de adrenalina, quando indicado.

Nunca substituas nem suspendas medicação essencial sem orientação profissional.


9.4. Avaliação Inicial: O Que Fazer Primeiro

O original militar dá prioridade ao que mata mais depressa. Essa lógica mantém-se.

Ao encontrar uma vítima:

10.1. garante segurança da cena;

11.2. usa luvas, se existirem;

12.3. verifica resposta;

13.4. identifica hemorragia grave visível;

14.5. verifica respiração;

15.6. chama ajuda cedo;

16.7. evita arrefecimento da vítima.

Uma sequência prática e fácil de memorizar é:

17.1. perigo;

18.2. resposta;

19.3. hemorragia maciça;

20.4. respiração;

21.5. circulação e sinais de choque;

22.6. temperatura e proteção.

Chamar ajuda

Liga `112` quando houver:

inconsciência;

dificuldade respiratória importante;

hemorragia grave;

queimadura extensa ou inalatória;

suspeita de AVC, enfarte, choque anafilático ou golpe de calor;

convulsão prolongada;

trauma significativo;

intoxicação grave;

animal suspeito de raiva com mordedura ou arranhão.

Usa `SNS 24` para dúvida clínica sem colapso imediato.

Usa `CIAV` para intoxicações, ingestões acidentais, fumos, pesticidas, lixívia, solventes e misturas perigosas.


23.5. Hemorragia Grave e Choque

No handbook original, a hemorragia externa exsanguinante é o grande inimigo evitável. Isso continua verdade em contexto civil.

Sinais de hemorragia grave

sangue a jorrar ou a correr continuamente;

roupa ou chão rapidamente ensopados;

amputação traumática;

sangue que não pára com compressão simples;

vítima pálida, fria, confusa, muito ansiosa ou a desmaiar.

O que fazer

24.1. aplica pressão direta firme imediatamente;

25.2. usa penso compressivo se disponível;

26.3. se a hemorragia ameaçar a vida e for num braço ou perna, aplica torniquete se souberes usar;

27.4. mantém a vítima deitada e aquecida;

28.5. chama `112`.

Torniquete

Em 2026, o uso de torniquete em hemorragia grave de membro é aceito e recomendado quando necessário.

Regras práticas:

usa um torniquete comercial e não improvisações frágeis, sempre que possível;

coloca-o 5 a 7 cm acima da ferida;

nunca por cima de articulações;

aperta até a hemorragia parar;

anota a hora de aplicação;

não o afrouxes por iniciativa própria.

Feridas em virilha, axila, ombro, pescoço ou couro cabeludo

Estas áreas não aceitam torniquete comum. Nesses casos:

compressão direta firme;

enchimento da ferida com gaze hemostática ou gaze normal, se tiveres treino;

manutenção da pressão até chegada de ajuda.

Sinais de choque

pele fria, húmida e pálida;

pulso rápido e fraco;

sede intensa;

confusão, inquietação ou prostração;

respiração rápida;

queda de pressão, desmaio.

Cuidados:

deita a vítima;

controla a causa, sobretudo hemorragia;

mantém calor com manta;

não dês comida;

oferece pequenos goles de água apenas se a pessoa estiver plenamente consciente, sem trauma grave e sem necessidade previsível de cirurgia.


29.6. Paragem Cardiorrespiratória e SBV

O treino formal continua a ser o melhor investimento médico não farmacológico.

Se a pessoa não responde e não respira normalmente:

30.1. liga `112` ou pede a alguém para o fazer;

31.2. coloca o telefone em alta-voz;

32.3. inicia compressões torácicas;

33.4. usa DAE assim que disponível.

Compressões torácicas

Segundo o algoritmo europeu de SBV:

centro do tórax;

profundidade de 5 a 6 cm no adulto;

ritmo de 100 a 120 por minuto;

interrupções mínimas.

Se tiveres treino, faz `30 compressões : 2 ventilações`.

Se não tiveres treino ou não conseguires ventilar, faz compressões contínuas.

Posição lateral de segurança

Se a pessoa estiver inconsciente mas a respirar normalmente:

coloca-a em posição lateral de segurança;

vigia continuamente;

prepara-te para reiniciar SBV se deixar de respirar normalmente.


34.7. Queimaduras

O livro original dá relevo às queimaduras térmicas, químicas e elétricas. Para civis, a prioridade é travar o dano e proteger a ferida.

Primeiros socorros

35.1. afasta a fonte de calor;

36.2. retira roupa e joias próximas, sem arrancar o que estiver colado;

37.3. arrefece com água fria ou fresca corrente durante 20 minutos;

38.4. cobre de forma solta com penso estéril não aderente ou película aderente colocada sem apertar;

39.5. trata a dor e procura ajuda se necessário.

Não fazer

não uses gelo;

não uses manteiga, pasta dentífrica, óleos, pomadas caseiras ou farinha;

não rebentes bolhas;

não apliques algodão diretamente.

Necessita avaliação urgente

queimadura grande ou profunda;

face, mãos, pés, genitais ou grandes articulações;

queimadura elétrica ou química;

suspeita de inalação de fumo;

pele branca, negra, acastanhada ou insensível;

criança pequena, idoso frágil ou pessoa com doença crónica relevante.

Queimadura química

remove o agente com segurança;

escova pós secos antes de irrigar;

lava abundantemente com água;

se for olho, irrigação contínua e ajuda urgente.


40.8. Calor, Desidratação e Golpe de Calor

O handbook original separa cãibras, exaustão e golpe de calor. Mantém-se útil.

Exaustão pelo calor

Sinais comuns:

fraqueza intensa;

sede;

náusea;

dor de cabeça;

tonturas;

pele húmida;

cãibras.

Conduta:

sombra;

parar esforço;

desapertar roupa;

arrefecer;

reidratar.

Golpe de calor

É emergência médica.

Sinais de alarme:

alteração do estado mental;

confusão, delírio, colapso ou convulsão;

pele muito quente;

temperatura corporal elevada;

agravamento rápido.

O que fazer:

41.1. ligar `112`;

42.2. iniciar arrefecimento imediato;

43.3. idealmente, imersão do corpo até ao pescoço em água fria;

44.4. se não for possível, toalhas frias e molhadas, ventilação forçada e gelo nas axilas, virilhas e pescoço;

45.5. manter vigilância da via aérea.

Não esperes por confirmação “perfeita”. Se houver alteração neurológica em contexto de calor, trata como golpe de calor.

Prevenção em Portugal

Com verões mais longos e eventos extremos mais frequentes, um plano prepper sério inclui:

armazenamento de água extra no verão;

sombreamento da casa;

ventoinhas, arrefecimento evaporativo e cortinas térmicas;

trabalho físico apenas nas horas mais frescas;

vigilância reforçada de idosos, crianças, grávidas e pessoas com doença cardíaca.


46.9. Frio e Hipotermia

O original recorda um ponto essencial: não é preciso nevar para haver hipotermia. Vento, humidade, exaustão e imobilidade bastam.

Sinais

tremores;

fala arrastada;

falta de coordenação;

apatia;

confusão;

pele fria;

em casos graves, sonolência profunda e inconsciência.

O que fazer

47.1. retirar do frio e do vento;

48.2. remover roupa molhada;

49.3. secar e isolar em camadas;

50.4. aquecer lentamente o tronco;

51.5. cobrir cabeça e pescoço;

52.6. bebidas mornas e doces apenas se estiver acordado e conseguir engolir;

53.7. pedir ajuda se houver confusão, sonolência marcada ou inconsciência.

Evita:

fricção vigorosa;

aquecimento agressivo de extremidades em vítima grave;

álcool.

Em trauma, a hipotermia piora muito o prognóstico. Sangue, roupa molhada e chão frio matam em silêncio.


54.10. Água Segura, Saneamento e Resíduos

O capítulo de medicina preventiva do handbook continua dos mais úteis para qualquer prepper.

Reserva mínima de água

Como referência prática:

pelo menos 3 dias de água;

idealmente cerca de 4 litros por pessoa por dia para beber e cozinhar, mais em calor intenso, lactentes, doentes ou esforço.

Hierarquia da água segura

55.1. água engarrafada intacta;

56.2. água fervida;

57.3. água tratada;

58.4. água filtrada e depois desinfetada, quando necessário.

Regras simples

se a água estiver turva, filtra primeiro com pano limpo, filtro adequado ou decantação;

se fores ferver, leva a água a ebulição vigorosa durante pelo menos 1 minuto;

ferver continua a ser a forma mais robusta de matar a maioria dos microrganismos;

se houver suspeita de combustível, pesticidas, solventes ou outros químicos, ferver não torna a água segura;

usa recipientes limpos e fechados;

evita recontaminação ao servir.

Saneamento improvisado

Se não houver esgotos:

afasta latrinas e eliminação de fezes de pontos de água;

cobre os dejetos;

mantém zona de cozinha separada da zona de resíduos;

lava mãos com água e sabão após fezes, lixo, fraldas, animais e antes de cozinhar.

Resíduos

O original acerta em cheio: lixo mal gerido atrai vetores e espalha doença.

Prioridades:

separar resíduos alimentares;

usar recipientes fechados;

evitar águas paradas;

afastar resíduos da zona de dormir;

controlar moscas, roedores e baratas cedo, antes de haver infestação.


59.11. Alimentação Segura em Ambiente de Crise

Num cenário de falha elétrica ou interrupção logística, a comida estragada adoece mais depressa do que a fome.

Regras práticas

prioriza alimentos estáveis e conhecidos;

consome primeiro o que estraga mais depressa;

evita gelo de origem duvidosa;

desconfia de alimentos vendidos sem cadeia de frio e sem higiene;

cozinha bem ovos, carne e peixe;

evita leite cru e derivados não pasteurizados;

descarta embalagens inchadas, enferrujadas, a verter ou com mau cheiro.

Cozinha austera

utensílios limpos;

superfície dedicada à preparação;

mãos lavadas;

faca separada para carne crua, se possível;

sobras apenas se tiveres frio seguro e reaquecimento adequado.

Em dúvida séria, deita fora. A diarreia num contexto de crise consome água, força e capacidade de decisão.


60.12. Monóxido de Carbono e Combustão em Espaços Fechados

Em ambiente prepper, uma das mortes mais evitáveis é a intoxicação por monóxido de carbono.

Fontes de risco clássicas:

geradores portáteis;

grelhadores a carvão;

fogareiros de campismo;

aquecedores a combustão;

motores a trabalhar em garagens, anexos ou espaços semi-fechados.

Regras de ouro:

nunca uses geradores, grelhadores ou fogareiros dentro de casa, garagem, arrecadação, tenda ou alpendre fechado;

mantém geradores no exterior, longe de portas, janelas e entradas de ar;

instala detetores de monóxido de carbono com alimentação a pilhas ou bateria de reserva.

Sinais de alerta:

cefaleia;

tonturas;

fraqueza;

náuseas ou vómitos;

dor no peito;

confusão;

colapso.

Se várias pessoas ficarem “com sintomas gripais” ao mesmo tempo num espaço fechado, pensa em monóxido de carbono e sai imediatamente para ar livre. Depois liga `112`.


61.13. Diarreia, Vómitos e Reidratação

O original dedica muita atenção a diarreia e intoxicação alimentar. Continua a ser prioritário porque desidrata depressa.

O essencial

repor água e sais;

usar solução de reidratação oral sempre que possível;

continuar alimentação ligeira quando tolerada;

vigiar sinais de desidratação.

Solução de reidratação oral

O método preferido é simples:

ter saquetas comerciais de SRO/ORS em casa;

misturar apenas com água segura, na quantidade indicada na embalagem;

usar no próprio dia.

Sinais de desidratação preocupante

boca muito seca;

pouca urina;

olhos encovados;

tonturas ao levantar;

letargia;

pele fria;

incapacidade de beber.

Procurar ajuda médica

sangue nas fezes;

febre alta;

sinais de desidratação moderada a grave;

vómitos persistentes;

diarreia prolongada;

doente muito jovem, idoso ou imunocomprometido.


62.14. Mordeduras, Arranhões, Raiva e Tétano

O capítulo de mordeduras do handbook e a atualização moderna da OMS encaixam bem no contexto prepper.

Mordedura de cão, gato, morcego ou animal selvagem

Faz imediatamente:

63.1. lavar e irrigar a ferida com água corrente e sabão durante 15 minutos;

64.2. não aplicar irritantes;

65.3. não fechar a ferida de forma improvisada;

66.4. procurar avaliação médica urgente.

Em 2026, isto é especialmente importante porque a profilaxia pós-exposição para raiva depende do tipo de contacto e não deve ser atrasada quando indicada.

Qualquer:

mordedura;

arranhão;

lambedura em pele não íntegra;

contacto de saliva com mucosa

por mamífero suspeito deve ser levado a sério.

Tétano

O tétano previne-se com vacinação e boa limpeza da ferida.

Se houver:

ferida suja;

ferida punctiforme;

mordedura;

tecido desvitalizado;

queimadura ou esmagamento,

confirma rapidamente o estado vacinal e procura orientação clínica para eventual profilaxia antitetânica.

Picadas de cobra

Portugal não é um país de alto risco, mas em meio rural há ofídios e deve haver prudência.

O que fazer:

afastar da zona;

manter a pessoa calma e imóvel;

retirar anéis, relógios e roupa apertada;

imobilizar o membro;

evacuar para avaliação médica.

O que não fazer:

não cortar;

não sugar;

não aplicar gelo;

não usar torniquete apertado;

não perder tempo a tentar “extrair veneno”.


67.15. Feridas, Infeção e Cuidados Locais

Grande parte das feridas civis pode ser bem gerida com princípios básicos.

Limpeza inicial

lavar mãos;

irrigar a ferida com água limpa abundante ou soro;

remover sujidade visível;

secar em redor;

cobrir com penso limpo.

Vigiar sinais de infeção

vermelhidão em progressão;

calor;

dor crescente;

pus;

mau cheiro;

febre;

linhas vermelhas a subir pelo membro.

Procura avaliação mais cedo em:

diabéticos;

imunodeprimidos;

feridas profundas;

mordeduras;

feridas com corpos estranhos;

feridas em mão, face ou períneo.


68.16. Pés, Bolhas e Mobilidade

O handbook acerta ao dar espaço às bolhas por fricção: numa crise, perder mobilidade é perder autonomia.

Prevenção

botas ou sapatos já usados e testados;

meias adequadas;

pés secos;

mudança de meias;

tratamento precoce de “hot spots” com fita, penso hidrocoloide ou proteção adequada.

Bolhas

se pequena e intacta, protege e reduz fricção;

se grande, dolorosa e prestes a romper, drena apenas em condições limpas e mantendo o teto da bolha;

vigia infeção;

descansa o suficiente para evitar ulceração.

Para casas rurais, evacuação a pé ou vigilância prolongada, uma boa higiene dos pés é mais valiosa do que parece.


69.17. Dor Dentária e Problemas Orais

O original dedica um capítulo inteiro à dentisteria de campo. Para civis, a melhor adaptação é prevenção e contenção.

Kit oral útil

escova e pasta;

fio dentário;

colutório simples;

analgésicos habituais;

cimento dentário temporário comercial, se souberes usar;

cera ortodôntica, se aplicável.

Quando surge dor dentária

mantém higiene oral;

evita extremos de temperatura;

usa analgésico apropriado;

se houver cavidade aberta e tiveres material próprio, podes usar restauração temporária até avaliação por dentista.

Procura ajuda urgente

inchaço da face;

febre;

dificuldade em abrir a boca;

dificuldade em engolir;

trauma com dente avulsionado.

Um dente totalmente arrancado deve ser manuseado pela coroa, não pela raiz, e idealmente ser preservado rapidamente em solução adequada ou leite enquanto procuras atendimento.


70.18. Saúde Mental, Stress e Disciplina do Grupo

O capítulo de operational stress do handbook continua extremamente atual, mesmo fora do meio militar.

Stress prolongado, privação de sono, incerteza, ruído, calor, dor e conflito familiar destroem julgamento. Numa casa isolada, isso multiplica acidentes.

Sinais de sobrecarga

irritabilidade;

esquecimentos;

impulsividade;

apatia;

insónia;

choro fácil;

agressividade;

isolamento;

sensação de desespero.

Medidas de proteção

rotinas simples;

horários de sono;

tarefas distribuídas;

alimentação regular;

informação clara e sem alarmismo;

pausas reais;

vigilância mútua.

Ideação suicida ou risco grave

Leva sempre a sério:

frases de despedida;

entrega de objetos pessoais;

desesperança marcada;

fala sobre não querer viver;

consumo excessivo de álcool ou fármacos;

comportamento errático com armas, facas, pesticidas ou medicação.

Resposta imediata:

não deixar a pessoa sozinha;

retirar meios letais;

contactar ajuda profissional;

em risco iminente, ligar `112`.


71.19. Crianças, Idosos e Pessoas com Doença Crónica

Estas pessoas descompensam primeiro.

Crianças

desidratam mais depressa;

queimam-se mais facilmente;

fazem febre e agravam rapidamente;

dependem totalmente da organização do adulto.

Idosos

sentem menos sede;

toleram pior calor e frio;

caem mais;

tomam mais medicamentos;

podem mascarar sinais de infeção.

Doença crónica

Num plano prepper sério, as prioridades são:

medicação contínua;

reservas e dispositivos;

alimentação compatível;

parâmetros de vigilância, como tensão arterial, glicemia ou saturação, se já usados habitualmente;

contacto com médico assistente sempre que possível.


72.20. Kits Médicos Recomendados

Em vez de um único “kit universal”, usa camadas.

Kit de bolso ou EDC

luvas;

compressas;

penso compressivo;

torniquete;

tesoura;

marcador;

máscara de barreira para ventilação, se souberes usar.

Kit doméstico

tudo o anterior;

pensos variados;

ligaduras;

fita adesiva médica;

antisséptico cutâneo;

soro fisiológico;

termómetro;

manta térmica;

saquetas de SRO;

analgésicos e antipiréticos usuais;

medicação habitual da família;

pensos para queimaduras não aderentes;

pinça;

sacos para resíduos.

Kit prolongado de crise

stock de água;

sabão e desinfetante de mãos;

lixívia simples para saneamento, usada conforme instruções apropriadas;

recipientes limpos para água;

filtros e comprimidos de purificação;

repelente;

mosquiteiro, se necessário;

solução oral de reidratação;

registo de medicação;

iluminação e powerbanks.


73.21. Treino Que Vale a Pena

O equipamento sem treino cria falsa confiança.

Prioriza formação em:

suporte básico de vida e DAE;

controlo de hemorragia;

primeiros socorros;

segurança alimentar;

prevenção de intoxicações;

gestão de stress;

evacuação e comunicação.

Treina:

ligar `112` com informação clara;

aplicar um torniquete;

colocar em posição lateral de segurança;

arrefecer uma queimadura corretamente;

organizar uma estação limpa de lavagem de mãos;

identificar sinais de desidratação e golpe de calor.


74.22. Limites do Manual

Não improvises estes atos sem formação, material e contexto clínico:

vias aéreas invasivas;

drenagem torácica;

suturas profundas;

antibióticos “preventivos” sem critério;

sedação;

parto complicado sem assistência;

cirurgia improvisada;

uso de fármacos injetáveis fora de indicação clara;

manipulação de fraturas complexas.

Em medicina austera, a diferença entre coragem e erro costuma ser o respeito pelos limites.


75.Conclusão

O Special Operations Forces Medical Handbook foi escrito para operadores em cenários extremos. A lição que mais interessa ao civil não é a parte espetacular. É a parte disciplinada.

Quem está melhor preparado em 2026 não é quem tem mais gadgets. É quem:

previne infeções;

tem água e medicação;

domina SBV e controlo de hemorragia;

reconhece sinais vermelhos cedo;

protege a saúde mental do grupo;

sabe quando pedir ajuda.

Em estilo prepper, o lema médico mais útil continua a ser simples:

`agua segura, maos limpas, calor controlado, hemorragia contida, cabeca fria`


76.Fontes de Base e Verificação

Base documental original:

Special Operations Forces Medical Handbook (2001): secções de Field Sanitation, Waste Disposal, Field Water Purification, Venomous Snake Bites, Operational Stress, Suicide Prevention, Hypothermia, Heat Stroke, Shock, Burns, Friction Blisters e Dental Caries.

Fontes verificadas online, consultadas e usadas na adaptação para 2026:

Governo de Portugal, contactos de emergência: https://www2.gov.pt/pt/cidadaos-europeus-viajar-viver-e-fazer-negocios-em-portugal/cuidados-de-saude-em-portugal/contactos-de-emergencia-em-portugal

SNS, linhas de atendimento gerais e CIAV: https://www.sns.gov.pt/sns-saude-mais/linhas-de-atendimento-gerais/

DGS, Livro Azul de Vacinas: https://www.dgs.pt/publicacoes/livro-azul-de-vacinas-programa-nacional-de-vacinacao-e-outras-estrategias-de-imunizacao.aspx

DGS, vacinação de adultos: https://www.dgs.pt/ficheiros-de-upload-2013/4-vacinacao-de-adultos-pdf.aspx

DGS, vacinas para viajantes e informação sobre raiva: https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/programa-nacional-de-vacinacao/vacinas-para-viajantes.aspx

DGS, profilaxia pré e pós-exposição ao vírus da raiva: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0012025-de-31012025-atualizada-a-07032025-profilaxia-pre-e-pos-exposicao-ao-virus-da-raiva-procedimentos-para-acesso-a-reserva-estrategica-nacional-de-imunoglobulina-contra-a-raiva.aspx

European Resuscitation Council, algoritmo de SBV 2021: https://cprguidelines-old.erc.edu/assets/posters/3.BLS-Algorithms-STEP-BY-STEP.pdf

European Resuscitation Council, infografias First Aid 2021: https://www.erc.edu/assets/other-documents/FirstAid-Infographics.pdf

American Red Cross, hemorragia externa grave: https://www.redcross.org/take-a-class/resources/learn-first-aid/bleeding-life-threatening-external

American Red Cross, utilização de torniquete: https://www.redcross.org/take-a-class/resources/articles/how-to-apply-a-tourniquet

American Red Cross, golpe de calor: https://www.redcross.org/take-a-class/resources/learn-first-aid/heat-stroke

American Red Cross, hipotermia: https://www.redcross.org/take-a-class/resources/learn-first-aid/hypothermia

WHO, queimaduras: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/burns

WHO, diarreia: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease

WHO, raiva: https://www.who.int/health-topics/rabies

WHO, picadas e mordeduras de animais: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/animal-bites

CDC, água segura em emergência: https://www.cdc.gov/water-emergency/about/index.html

CDC, criação de reserva de água: https://www.cdc.gov/water-emergency/about/how-to-create-and-store-an-emergency-water-supply.html

CDC, monóxido de carbono e falhas de energia: https://www.cdc.gov/natural-disasters/response/what-to-do-protect-yourself-during-a-power-outage.html

CDC, segurança com geradores e CO: https://www.cdc.gov/carbon-monoxide/factsheets/generator-safety-fact-sheet.html

CDC, prevenção do tétano em feridas: https://www.cdc.gov/tetanus/hcp/clinical-guidance/index.html

NHS, queimaduras e escaldões: https://www.nhs.uk/conditions/burns-and-scalds/recovery/