Se houver um desastre natural ou um acidente

 


E se houver um acidente? (guia prático – Portugal)

1) Prioridade imediata: P.A.S.

Proteger → Alertar → Socorrer

  • Proteger: garanta a sua segurança e a de terceiros (trânsito, incêndio, eletricidade, gás, quedas, estruturas instáveis).

  • Alertar: peça ajuda o mais cedo possível.

  • Socorrer: só depois, preste auxílio sem agravar a situação.


2) Quando ligar e para onde ligar

  • 112 (emergência): sempre que haja risco de vida, feridos graves, perda de consciência, dificuldade respiratória, hemorragia abundante, vítima encarcerada, incêndio, risco elétrico/gás, ou situação perigosa a evoluir. 

  • SNS 24 (triagem e aconselhamento): situações de saúde não emergentes ou dúvida clínica quando não há risco imediato. 808 24 24 24

  • CIAV (intoxicações/ingestões/químicos/plantas): 800 250 250 (24/7, gratuito). 


3) O que dizer ao operador (112) – modelo de chamada

Diga de forma simples e clara: 

  • Local exato: rua/localidade; se estrada, autoestrada + km + sentido + referência (saída, ponte, marco).

  • O que aconteceu: colisão, queda, queimadura, corte, choque elétrico, etc.

  • Nº de vítimas e estado: consciente/inconsciente, respira/não respira, sangramento, preso/encarcerado.

  • Perigos no local: fogo/fumo, gás, cabos elétricos, trânsito intenso, produtos químicos.

  • O seu contacto e instruções a seguir (não desligue até indicarem). 

Frase pronta (exemplo):
“Estou em [local], aconteceu [tipo de acidente]. Há [X] vítimas. Uma está [inconsciente/consciente], [respira/não respira], há [sangue/fumo/risco]. Preciso de socorro médico.”


4) Avaliação rápida da vítima (sem procedimentos complexos)

  • Verifique se a pessoa responde (fala/abre os olhos).

  • Observe se respira.

  • Identifique hemorragia intensa.

  • Se houver suspeita de trauma (queda forte/colisão), evite mexer na vítima, salvo perigo imediato (fogo, explosão, risco de atropelamento).

Se a pessoa não respira ou colapsou, ligue 112 e siga as instruções; o SNS 24 descreve a sequência geral de SBV com chamada para 112 e início de manobras conforme orientação. 


5) Situações frequentes: o que fazer e o que evitar

Hemorragia

  • Faça pressão direta com pano/ligadura limpa e mantenha.

  • Não retire objetos cravados; estabilize à volta.

Queimaduras

  • Arrefeça com água corrente fresca (sem gelo).

  • Não aplique gorduras/pastas “caseiras”.

Quedas / pancadas

  • Se houver dor intensa no pescoço/costas, formigueiros, confusão, vómitos repetidos: 112.

Intoxicação / químicos

  • CIAV 800 250 250 e tenha a embalagem do produto consigo. 


6) Se for um acidente rodoviário

  • Ative os 4 piscas e pare em local seguro (se possível).

  • Vista o colete retrorrefletor antes de sair.

  • Use o triângulo de pré-sinalização quando o veículo fica imobilizado na faixa/berma (obrigatório). 

  • Não entre na via para sinalizar se isso o colocar em risco; priorize a sua segurança e chame ajuda.


7) Depois do imediato (os primeiros 30–60 minutos)

  • Mantenha a pessoa quente e calma (choque é comum).

  • Monitorize alterações: sonolência, confusão, falta de ar, dor a piorar.

  • Registe informação útil: hora do acidente, sinais observados, produtos envolvidos (em intoxicações).

1) Contexto e mentalidade

Mesmo que goste de atividades ao ar livre, a probabilidade de enfrentar uma “sobrevivência no mato” é reduzida. Em Portugal, é mais provável ser afetado por um desastre perto de casa: sismos, incêndios rurais/urbanos, cheias/inundações, tempestades, ondas de calor ou frio, deslizamentos, falhas prolongadas de eletricidade e comunicações.



Atitude mental

  • Não entre em pânico. Pare, respire e avalie.

  • Aceite que é normal sentir medo, frustração, ansiedade ou confusão.

  • Defina prioridades: segurança imediata → comunicação → água → abrigo/temperatura → primeiros socorros → alimentação.


2) Planeamento e preparação

É essencial ultrapassar a ideia de “isso não acontece aqui”. Em Portugal, a preparação muda consoante a zona (litoral, interior, ilhas), o tipo de habitação e o risco dominante (incêndio, cheias, sismo, etc.).

Objetivo prático

  • Ter um kit doméstico para pelo menos 7 dias (idealmente 7 a 14, consoante o agregado).

  • Ter um plano familiar: pontos de encontro, contactos, rotas alternativas, funções (quem leva documentos, quem ajuda crianças/idosos, etc.).

Itens-chave (resumo)

  • Água e meios de tratamento

  • Iluminação e energia

  • Rádio de emergência (de preferência com manivela e/ou pilhas)

  • Primeiros socorros e medicação habitual

  • Alimentação não perecível

  • Documentos e dinheiro

  • Ferramentas básicas e EPI (luvas, máscara, óculos)


3) Comunicação e informação

Em muitos cenários, conseguirá manter contacto parcial com o exterior — mas deve preparar-se para falhas.

Boas práticas

  • Acompanhe indicações oficiais (proteção civil, autoridades locais).

  • Tenha um rádio portátil (pilhas/manivela) para atualizações.

  • Poupe bateria: modo de poupança, brilho baixo, evitar vídeo, SMS quando a rede está congestionada.

  • Combine com a família um contacto “fora da zona” para centralizar informação.


4) Sinalização e pedido de ajuda

Em desastres, pode ficar preso, sem visibilidade ou sem rede.

Sinalização eficaz

  • Lanterna/estroboscópio, apito, pano/tecido de cor viva.

  • Em prédios: sinalizar à janela com luz intermitente, cartaz simples (“AQUI”, “AJUDA”, número de pessoas).

  • Se houver risco de colapso/incêndio, não se exponha para sinalizar.


5) Água

Água é prioridade crítica, especialmente em falhas de energia que afetem bombas e redes.

Se houver aviso prévio

  • Encha garrafas e recipientes limpos.

  • Se for seguro e fizer sentido, encha também recipientes adicionais para usos não potáveis (higiene/descargas).

Fontes e cuidados

  • Se a água estiver suspeita (cheiro, cor, aviso oficial), trate antes de beber.

  • Um filtro de água adequado (não o tipo “jarro de frigorífico”) pode ser útil, dependendo do cenário.

  • Alternativas internas: gelo derretido do congelador é uma fonte limitada.

  • Evite água de origem duvidosa sem tratamento.


6) Fogo, calor e cozinhar em segurança

Em falhas de eletricidade no inverno (ou frio intenso), a gestão de calor pode ser vital.

Regras de segurança

  • Só faça fogo em locais apropriados (lareira/recuperador, salamandra, fogão a lenha).

  • Aquecedores a combustível só com ventilação e segurança, e atenção ao risco de monóxido de carbono.

  • Não use o fogão a gás para aquecer a casa.

  • Reduza perdas térmicas: concentrar pessoas numa divisão, vedar frestas, roupa em camadas.


7) Abrigo

Muitos desastres deixam a casa utilizável. Se não estiver segura, tem de improvisar.

Opções

  • Permanecer em casa (se estruturalmente segura e sem risco direto).

  • Abrigo alternativo (família/amigos, centros de acolhimento, viatura, tenda), conforme orientações oficiais.

  • O abrigo deve manter seco, quente/fresco, protegido do vento e de quedas de materiais.


8) Alimentação

Em falhas de energia, a prioridade é gerir perecíveis.

Gestão prática

  • Consuma primeiro: frigorífico (muito perecível) → congelador (enquanto mantém frio) → dispensa (não perecível).

  • Minimize aberturas do frigorífico/congelador.

  • Tenha reservas simples: enlatados, leguminosas, arroz/massa, barras, frutos secos, leite UHT, etc.

  • Não confie em “soluções caseiras” de conservação se não tiver condições de higiene e temperatura controladas.


9) Deslocações e navegação

Após um desastre, deslocar-se pode ser mais perigoso do que ficar.

Antes de sair

  • Verifique se as rotas estão livres de riscos (cheias, derrocadas, pontes, incêndios, cabos caídos).

  • Ouça rádio/avisos oficiais.

  • Se a deslocação for necessária: leve água, lanterna, powerbank, roupa adequada e documento de identificação.

Navegação

  • GPS ajuda, mas pode falhar (rede/energia). Tenha também mapa offline no telemóvel, quando possível.


10) Perigos secundários (a regra “gás, vidro, fogo e eletricidade”)

Após o evento principal, os danos “invisíveis” são comuns.

Gás

  • Se suspeitar de fuga: não faça chamas, não acione interruptores, ventile se for seguro, afaste-se se necessário.

  • Só feche válvulas se souber o que está a fazer.

Vidro

  • Identifique e limpe com proteção (luvas, calçado fechado) para evitar cortes/infeções.

Fogo

  • Atenção a fugas de combustível, curto-circuitos, chamas latentes, cinzas quentes.

Eletricidade

  • Cabos expostos ou molhados são críticos. Afaste pessoas e animais.

  • Se houver água no chão e suspeita elétrica, não circule até estar seguro.


11) Meteorologia e evolução do cenário

O tempo pode ser a causa e também o agravante (vento, chuva, calor extremo).

O que fazer

  • Monitorize atualizações (rádio, avisos oficiais).

  • Ajuste decisões: sair/ficar, consumo de recursos, proteção térmica e hidratação.


12) Primeiros socorros

Um curso básico de primeiros socorros pode ser decisivo.

Boas práticas

  • Tenha kit acessível e atualizado.

  • Priorize: hemorragias, vias aéreas, choque, queimaduras, fraturas.

  • Em cenário degradado, prevenção (higiene, luvas, desinfeção) reduz infeções.


13) Competências essenciais e improviso seguro

A capacidade de adaptar recursos do dia a dia é uma vantagem, mas sem comprometer a segurança.

Princípios

  • Use o que tem com objetivo claro: proteção, isolamento térmico, sinalização, transporte de água.

  • Se tiver de escolher entre um bem material e a segurança, a segurança vem primeiro.

  • Simplifique: decisões fáceis, rotinas, disciplina no consumo de água/energia.