Plantas silvestres comestíveis vs tóxicas e purificação da água em Portugal

 Os métodos de purificação doméstica destinam-se a tornar a água potável eliminando ou reduzindo contaminações biológicas e físicas. Os mais comuns incluem a fervura, filtração, desinfecção UV e osmose inversa​.



A fervura (manter a água a ferver por ≥1 minuto) mata bactérias, vírus e parasitas, embora não remova contaminantes químicos. Filtros caseiros (de cerâmica, carvão ativado ou fibra) retêm partículas e melhoram gosto/odor; os de carvão ativado são eficazes contra cloro e compostos orgânicos voláteis, mas não eliminam microorganismos resistentes​


A osmose inversa aplica pressão para forçar a água através de membranas semipermeáveis (poros ~0,0001 μm), removendo sais, metais e quase todos os contaminantes dissolvidos, sendo muito eficaz porém dispendiosa e geradora de efluente. Lampadas UV ultravioleta expõem a água à radiação germicida, destruindo patógenos sem reagentes químicos; é rápida e eficaz contra vírus/bactérias, mas exige água pré-filtrada (baixa turbidez) e não deixa desinfetante residual. Outros métodos incluem: ion exchange (amaciamento da água, trocando cálcio/magnésio por sódio), tablets de cloro/iode (desinfecção química pontual) e desinfecção solar (SODIS – exposição de garrafas PET ao sol para matar germes por UV natural)​.



Métodos em Sistemas Municipais de Abastecimento

Os sistemas públicos de tratamento de água seguem processos convencionais de grande escala. Em geral, a água bruta (de rios, albufeiras ou aquíferos) sofre coagulação/floculação, decantação (sedimentação), filtração e desinfeção​.


Na coagulação adicionam-se sais (por exemplo sulfato de alumínio) ou polímeros para agrupar partículas finas (flocos), que depois se depositam no fundo (decantação). Segue-se filtração (leitos de areia, cascalho ou carvão) para remover suspensões restantes. Finalmente aplica-se desinfeção para garantir que não restam microrganismos patogénicos. A cloração (adicionar gás ou hipoclorito) é a forma mais comum de desinfeção municipal, pois é eficaz contra bactérias e vírus e proporciona residual protetor na rede. A ozonização (injeção de ozono gasoso) e a desinfecção UV também são cada vez mais usadas: o ozono é um forte agente oxidante que elimina microrganismos e degrada compostos orgânicos sem deixar cloro residual, mas é mais caro; a radiação UV destrói o material genético dos germes sem adição química, exigindo água muito clara (baixa turbidez)​.


Em resumo, as etapas principais e equipamentos típicos dos sistemas municipais de potabilização são:

Pré-tratamento: gradeamento para remover sólidos grosseiros; aeração para precipitar ferro/manganês.

Coagulação/Floculação: tanques com agitadores onde se misturam coagulantes.

Decantação (decantadores): tanques de sedimentação lenta, onde os flocos precipitam.

Filtração: filtros rápidos de areia/antroacite ou carvão ativado para residual.

Desinfeção final: cloração, ozono ou UV antes da distribuição.


Ajuste final: correção de pH, adição de cal para estabilizar água ou fluoretação (se praticada), e cloro residual para manter a qualidade na rede.


Uma comparação simplificada dos principais métodos de desinfeção empregados é:





















Processos Industriais de Purificação

As indústrias dispõem de processos específicos devido aos diferentes usos finais ou efluentes gerados. Dessalinização (geralmente por osmose inversa, ou destilação térmica) é crucial em regiões costeiras ou ilhas onde a água doce é escassa. Por exemplo, no Algarve está em construção um sistema multimunicipal de osmose inversa do mar, capaz de produzir até ~24 hm³/ano de água potável adicional​

A dessalinização remove praticamente todos os sais dissolvidos e muitas impurezas, mas requer muita energia. É usada em municípios (e também em indústrias que precisam de água de alta pureza) quando outras fontes não bastam. Tratamento de águas residuais industriais segue normalmente três etapas: pré-tratamento (gradeamento, desarenação), tratamento físico-químico (neutralização de pH, precipitação de metais, floculação) e tratamento biológico (reatores de lodo ativado ou lagoas) para remover matéria orgânica. Dependendo da indústria, podem ser necessários processos avançados: troca iónica (para remediar metais pesados ou resíduos radioativos), oxidação avançada (UV/H₂O₂, ozono) para poluentes persistentes, ou filtrações por membranas (ultrafiltração, nanofiltração) que retêm compostos específicos. Por exemplo, efluentes de curtumes ou indústrias químicas podem exigir estações de tratamento dedicadas para garantir conformidade legal. Alguns setores industriais também implementam sistemas fechados de reciclagem de água (circulação em torres de arrefecimento, reúso interno) para minimizar captações. Um desenvolvimento recente é o uso de membranas avançadas: ultrafiltração e nanofiltração permitem remover microrganismos, colóides, e grande parte dos compostos orgânicos/de cor; são empregues tanto no acabamento de efluentes industriais como na pré-qualidade de água de alimentação (por exemplo, antes de evaporadores em indústrias alimentares ou farmacêuticas). Além disso, práticas como a desmineralização (resinas ou eletrodiálise) são comuns para produzir água para caldeiras, química ou semicondutores.


Conservação da Água

A gestão eficiente da água envolve reduzir consumos e perdas em todos os setores:

Doméstico: usar equipamentos economizadores (torneiras e chuveiros de baixo fluxo, vasos sanitários com dupla descarga), instalar arejadores, e reparar rapidamente fugas em tubagens. Reutilizar água “cinza” (por exemplo, da máquina de lavar roupa) para rega pode reduzir a captação. Pequenas mudanças, como banhos mais curtos e lavagem de roupa em carga completa, têm impacto. Em Portugal, campanhas da APA e DGS reforçam estas boas práticas de poupança e monitorização de consumo (leitura atenta de contadores) para evitar desperdício.

Agrícola: técnicas de rega eficiente (irrigação localizada por gotejamento, aspersão controlada ou microaspersão) reduzem a evaporação e percolação excessiva. O uso de sensores de humidade ou evapotranspiração para programar a irrigação evita regar de forma desnecessária. Práticas de conservação de solo (mulching, conservação de cobertura vegetal) mantêm a umidade no solo. A reutilização de águas tratadas (de ETARs) na agricultura é também adotada conforme a D.L. 119/2019, servindo para regar culturas não alimentares (jardins, golfe, suinocultura, etc.) sob rigorosos padrões de qualidade. Planos de gestão da água no campo (rotas de rega, cultivo de variedades resistentes à seca) são promovidos pelo Ministério da Agricultura e pela Comissão Europeia.

Industrial: além do tratamento já mencionado, as indústrias procuram reciclar e reusar internamente a água: por exemplo, reaproveitar condensados de caldeiras ou água de resfriamento. Sistemas de circuito fechado (cooling loops) emplantas químicas ou metalomecânicas evitam descargas frequentes. Auditores energéticos e hidráulicos identificam gargalos de desperdício. A norma internacional ISO 46001:2019 (Sistemas de Gestão da Eficiência Hídrica) fornece um quadro para indústrias melhorarem continuamente o uso da água. Em conjunto, as entidades reguladoras (como a ERSAR) e programas comunitários incentivam metas de redução de consumo por setor.

Legislação e Regulamentação (Portugal e UE)

Em Portugal, o quadro legal segue as diretivas europeias. A Diretiva Quadro da Água (2000/60/CE) foi transposta pelo Decreto-Lei n.º 306/2007 (alterado pelo D.L. 152/2017)​.

asae.gov.pt, estabelecendo objetivos de gestão integrada e controlos de usos hídricos. A qualidade da água para consumo humano é regulada pela Diretiva 98/83/CE (“Diretiva da Água Potável”) e suas alterações (p. ex. Diretiva 2020/2184/UE), transpostas em portarias nacionais (como a Portaria n.º 140/2015, que atualizou parâmetros de potabilidade). O Decreto-Lei n.º 306/2007 (com suas atualizações) criou também a ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos – responsável pelo controlo da qualidade da água “na torneira” do consumidor, segundo um Programa de Controlo da Qualidade da Água (PCQA) que envolve amostragens e análises periódicas​

asae.gov.pt

. Para águas residuais urbanas, aplica-se o Decreto-Lei n.º 236/98 (transpondo a Diretiva 91/271/CEE sobre tratamento de águas residuais de aglomerados urbanos) e portarias associadas (p. ex. Portaria 329/2011, que define normas de descarga para ETAR). As águas residuais industriais seguem limites específicos (como no Regime Jurídico das Emissões de Águas Residuais Industriais, D.L. 118/2014 e atualizações). A reutilização de águas residuais tratadas para fins agrícolas é regulamentada pela Diretiva (UE) 2020/741 e pelo Decreto-Lei n.º 119/2019 em Portugal, estabelecendo requisitos de qualidade (p. ex. valores máximos para patógenos, nutrientes) para usos em irrigação. Além disso, o Plano Nacional de Regulação aprovado pela APA define metas de eficiência no ciclo urbano da água, incentivando a redução de perdas em rede. Nas licenças de captação e descarga, são definidas condições estritas pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRA) e APA, conforme os Planos de Gestão de Região Hidrográfica (leis específicas como o D.L. 235/97 para a Douro, etc.). Em resumo, Portugal aplica normas europeias de qualidade e encoraja práticas de conservação via legislação e incentivos, garantindo que tanto a purificação como o uso da água sigam padrões técnicos rigorosos​.


Fontes: As informações acima baseiam-se em manuais técnicos e regulamentos oficiais – p.ex. documentos da ERSAR, DGS e APA sobre qualidade da água – além de publicações de entidades reconhecidas (Safe Drinking Water Foundation, WHO/CDC)​

As leis e portarias referidas são consolidadas nos Diários da República, e organismos reguladores portugueses (ERSAR, APA) emitem relatórios anuais detalhando qualidade e conformidade da água