Num cenário de emergência grave – seja um desastre natural, apagão prolongado ou colapso das infraestruturas estatais – a capacidade de manter comunicações confiáveis e de se orientar no terreno torna-se fundamental. Muitos preparadores (preppers) destacam que, em situações extremas, os serviços públicos (energia elétrica, telecomunicações, protecção civil) tendem a falhar ou a colapsar primeiro.
Por exemplo, no “apagão” nacional de abril de 2025 as comunicações móveis e fixas degradaram-se fortemente após a falha inicial de energia.
Neste contexto, construir redes de suporte independentes e dominar técnicas de orientação manual pode fazer a diferença entre manter a informação vital de emergência e ficar isolado. Em Portugal, o movimento prepper (que cresceu acentuadamente desde 2017.
Insiste precisamente na autonomia em comunicação e navegação, pois «os serviços do Estado são os primeiros a colapsar» em cenários SHTF (situações de “shit hit the fan”)
Sistemas alternativos de comunicação.
Em caso de ruptura das redes normais (telefone e Internet), recorrem-se a equipamentos sem fio de curto ou longo alcance. Entre eles destacam-se:
Rádio-amador: Os radioamadores licenciados (aprovados pela ANACOM) podem usar transceptores de VHF/UHF e HF que alcançam comunicações regionais ou até globais. Em emergências, a lei portuguesa permite que o radioamador opere fora das faixas habituais para apoiar serviços de emergência
Ou seja, um rádio amador pode legalmente transmitir em frequências específicas para salvar vidas sem infringir a lei.
Contudo, requer exame e certificado para usar frequências dedicadas.
Rádio CB (Banda do Cidadão 27 MHz): Desde março de 2017 as estações CB estão isentas de licença em Portugal.
Pelo que qualquer cidadão pode usar rádios CB (até 4W AM/FM ou 12W SSB) sem registo. A grande vantagem é o alcance – em locais elevados pode chegar a centenas de km (especialmente em SSB)
– o que permite comunicações locais e até nacionais sem infraestrutura central. O canal 9 do CB (27.065 MHz) é legalmente reservado exclusivamente para comunicações de socorro, urgência e
Em teoria, todos os rádios CB deveriam manter o canal 9 livre para emergências, funcionando como um ponto de encontro entre cidadãos e equipas de socorro voluntárias.
Walkie-talkies (PMR446): São rádios portáteis em UHF (446.1–446.2 MHz) de baixa potência (≤0,5W) e antena fixa, isentos de licença. Têm 16 canais analógicos (ou até 32 digitais).
Com alcance de algumas centenas de metros até poucos quilómetros em terreno aberto. Embora de curto alcance, são baratos e úteis para comunicações locais, por exemplo entre membros de um grupo durante uma evacuação.
LPD433: Rádios de 433 MHz ainda menores (≤10 mW) e alcance muito limitado (alguns metros), mas que podem servir em situações urbanas muito restritas.
